Os bebês humanos são capazes de operações matemáticas rudimentares de adição, subtração e ordenação. Um recente estudo buscou determinar se os bebês são capazes de extrair proporções, apresentamos aos bebês de 6 meses vários exemplos de uma única proporção. Após repetidas apresentações dessa proporção, os bebês foram apresentados a novos exemplos de uma nova proporção, bem como novos exemplos da proporção anteriormente habituada.
Os resultados mostraram que os bebês foram capazes de discriminar com sucesso duas razões que diferiram por um fator de 2, mas não conseguiram detectar a diferença entre duas razões numéricas que diferiram por um fator de 1,5. (McCrink & Wynn, 2007).
Os presentes resultados, em conjunto com outros achados sobre habilidades numéricas na infância, suportam a afirmação de que existe um senso de número e que isto é uma capacidade central que provavelmente será semelhante de organismo para organismo, e invariante com as variações na cultura ou nas experiências individuais (Dehaene, Molko, Cohen, & Wilson, 2004). Os bebês testados no estudo de McCrink (2007), embora bebês não recém-nascidos, eram muito jovens.
Certamente não haviam recebido nenhuma escolaridade ou instrução sobre a natureza das representações numéricas; nem tinham linguagem, que poderia suportar o tipo de computação que estamos propondo. A evidência apresentada neste estudo fala contra a forte afirmação empirista de que os bebês possuem representações de natureza apenas perceptiva, concretas, e não são capazes de representar propriedades abstratas de estímulos externos.
O fato da capacidade de extração de proporção, fundamental para a sobrevivência em outros animais, estar presente desde o início do desenvolvimento humano é um forte argumento para a continuidade evolutiva.
Estas fortes evidências permitem concluir que os bebês podem extrair uma proporção comum entre as cenas visuais simples e usar essas informações enquanto examinam novas exibições. Os resultados suportam um sistema de estimativa de magnitude aproximado, que também foi encontrado em animais e adultos humanos (Feigenson, Dehaene, & Spelke, 2004).
Estas funções são também transferíveis para outras habilidades matemáticas, porém, de aparecimento mais tardio. Uma vez que bebês são capazes de julgar quantidades quando são maiores que o dobro, era esperado que também fossem capaz de perceber que uma linha de 15cm é o dobro do tamanho de 7,5cm. Os estudos tem revelado que crianças pequenas não fazem julgamentos proporcionais, mas sim, correspondendo à Lei de Fechner, ou seja, uma representação mental logaritmicamente distribuída (Young & Opfer, 2011).
Isto ocorre em crianças com até 5 anos de idade, idade na qual as crianças já apresentam linearidades representadas entre 0 e 10. Entre a idade pré-escolar e a segunda série (6 a 8 anos de idade) a proporcionalidade da representação mental fica linearmente proporcional para valores entre 0 e 100.
Considerações Finais
Este conjunto de resultados nos conduz a conclusão de que, ao estimarmos o valor de símbolos como os algarismos arábicos, ‘‘3’’, ‘‘33’’ e ‘‘333’’, cada um destes símbolos é tratado de forma holística, global e associado a uma magnitude mental diferente ao longo de uma das escalas comuns, seja quantitativa ou afastamento/ distância espacial.
Referências
Dehaene, S., Molko, N., Cohen, L., & Wilson, A. J. (2004). Arithmetic and the brain. Current Opinion in Neurobiology, 14(2), 218-224. doi:10.1016/j.conb.2004.03.008
Feigenson, L., Dehaene, S., & Spelke, E. (2004). Core systems of number. Trends in Cognitive Sciences, 8(7), 307-314. doi:10.1016/j.tics.2004.05.002 McCrink, K., & Wynn, K. (2007). Ratio Abstraction by 6-MonthOld Infants. Psychological Science, 18(8), 740-.
Young, C. J., & Opfer, J. E. (2011). Psychophysics of Numerical Representation. Zeitschrift fur Psychologie, 219(1), 58-63. doi:10.1027/2151-2604/a000047




