Neurociência Aplicada na Educação de Jovens e Adultos

Uma das grandes contribuições das Neurociências para as áreas da pedagogia e educação está no entendimento de como nosso cérebro aprende nas diferentes idades de nossas vidas. A Neurociência aplicada na educação de Jovens e Adultos é a área que agrega todo este conhecimento.

O foco das pesquisas em Neurociência e educação são maiores nos anos iniciais de nosso desenvolvimento. Isto é justificável pela presença de períodos sensíveis e períodos críticos de maior poder de modificação estrutural e funcional do cérebro nesta faixa do desenvolvimento.

No entanto, a quantidade de jovens acima dos 14 anos e adultos que interromperam seus estudos, ou que estão iniciando sua jornada educacional ainda é muito significativa em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos.

Preocupar-nos com a aprendizagem desta parcela da população não requer apenas conhecimento sobre processos pedagógicos, mas também, entender como o cérebro nestas idades funciona para o aprendizado.

A neurociência educacional tem avançado também nesta área e novos métodos de ensino e aprendizagem compatíveis com o funcionamento cerebral destas populações. Vamos ver alguns deles.

Neurociências e Métodos para EJA

Apesar do cérebro manter uma relativa plasticidade durante toda a nossa vida, esta intensidade e capacidade plástica de mudança é significativamente reduzida após a adolescência.

Os estudos de Perceptual Learning evidenciaram as bases neurais para aprendizado após o período de plasticidade. De acordo com os achados, os aprendizados envolvem as modificações de sinapses apenas locais, com pouca produção de ramos e contatos sinápticos novos nos neurônios.

Para a ocorrência de aprendizado em qualquer fase da vida, há a necessidade de mudanças fisiológicas no funcionamento dos neurônios.

Existem várias mas as mais elementares são o estabelecimento de contatos sinápticos (comunicação entre neurônios) duradoura e eficiente, sincronia de atividade elétrica e modificações na produção de proteínas que vão melhorar a transmissão de informação nas comunicações neurais.

Na prática, estes achados mostram que o aprendizado se torna mais lento para uma consolidação eficiente. Além disso, o número de ramos sinápticos e menor, diminuindo a formação de novos circuitos à distância, ou não locais.

Com isso, há a necessidade de métodos pedagógicos que considerem estas mudanças fisiológicas e que sejam eficientes na formação de aprendizados novos.

Metodologia EJA Baseada no Cérebro

Novas metodologias desenvolvidas para ensino e aprendizado após a adolescência tem se preocupado em entender como o cérebro funciona para incluir e até mesmo, basear seus conceitos pedagógicos nestas informações atualizadas.

A prática de recuperação é baseada no conceito de lembrar mais tarde. Recordar uma resposta a uma pergunta melhora o aprendizado mais do que procurar a resposta em seu livro (Kelley & Whatson, 2013).

Isto porque ativamos os mecanismos de recuperação de memória e não apenas os de armazenamento. Esta prática fortalece os circuitos cerebrais das memórias.

E lembrar e escrever a resposta em um cartão de memória é muito mais eficaz do que pensar que você sabe a resposta e virar o cartão cedo. Como fazer:

  • Utilize testes práticos: use testes práticos ou perguntas para se questionar, sem olhar para o seu livro ou anotações.
  • Faça suas próprias perguntas: seja seu próprio professor e crie perguntas que você acha que estariam em um teste. Se você estiver em um grupo de estudo, incentive outras pessoas a fazer o mesmo e troque perguntas.
  • Use flashcards: crie flashcards, mas certifique-se de praticar sua técnica de recuperação. Em vez de virar um cartão prematuramente, anote a resposta e depois verifique.

A prática espaçada (também conhecida como “prática distribuída”) incentiva os alunos a estudar por um longo período de tempo, em vez de estudar na noite anterior. Quando nossos cérebros quase esquecem algo, eles trabalham mais para lembrar essa informação (Kramar et al., 2012).

Espaçar seu estudo permite que sua mente faça conexões entre ideias e construa o conhecimento que pode ser facilmente lembrado mais tarde (Smolen, Zhang, & Byrne, 2016).

Para tentar essa técnica, revise seu material em intervalos espaçados semelhantes ao cronograma.

  • Dia 1: Aprenda o material em aula.
  • Dia 2: Revisitar e revisar.
  • Dia 3: Revisitar e rever.
  • Após uma semana: Revisitar e revisar.
  • Após duas semanas: Revisitar e revisar.

Dicas para Otimizar o Aprendizado

É preciso criar as condições – em seu corpo e no ambiente externo do estudo – para aprender e reter informações com sucesso. Aqui estão alguns hábitos de estudo que vale a pena tentar.

Tenha uma boa noite de sono: Um estudo recente encontrou uma relação positiva entre as notas dos alunos e a quantidade de sono que eles tinham. No entanto, isso não significa apenas dormir 8 horas completas antes de um grande teste.

O que importa ainda mais é dormir o suficiente por várias noites antes de fazer a maior parte de seus estudos.

Mude seu ambiente de estudo: isso pode não parecer uma estratégia de estudo promissora. Mas estudos mostram que mudar seu ambiente de estudo pode aumentar o desempenho da recordação. Em vez de estudar em casa todos os dias, tente ir a um café ou ir à biblioteca local.

Uma mudança de cenário pode melhorar tanto a memória quanto os níveis de concentração. Mudança dos alunos para salas temáticas tem também efeito similar.

Elimine distrações: elimine distrações silenciando seu telefone e ruídos de fundo irritantes, como TV ou rádio. Faça um pacto consigo mesmo para evitar checar as mídias sociais, até que sua sessão de estudo termine.

Lanche com comida inteligente: café e doces lhe darão um impulso temporário, mas você terá uma queda de açúcar no sangue. Para uma energia mais focada e sustentável, experimente lanches saudáveis, como maçãs ou nozes.

Referências

Kelley, P., & Whatson, T. (2013). Making long-term memories in minutes: a spaced learning pattern from memory research in education. Front Hum Neurosci, 7, 589. doi:10.3389/fnhum.2013.00589

Kramar, E. A., Babayan, A. H., Gavin, C. F., Cox, C. D., Jafari, M., Gall, C. M., . . . Lynch, G. (2012). Synaptic evidence for the efficacy of spaced learning. Proc Natl Acad Sci U S A, 109(13), 5121-5126. doi:10.1073/pnas.1120700109

Smolen, P., Zhang, Y., & Byrne, J. H. (2016). The right time to learn: mechanisms and optimization of spaced learning. Nat Rev Neurosci, 17(2), 77-88. doi:10.1038/nrn.2015.18

Processamento Visual

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