Processamento Visual e sua Avaliação

As relações entre o sistema visual e funções cognitivas como atenção, memória, raciocínio entre outras, conhecidas há décadas, tem ganhado a atenção de médicos oftalmologistas e profissionais da saúde. Ultimamente tem se tornado popular pedidos destes profissionais para avaliação do Processamento Visual. Mas o que isso quer dizer?

Processamento visual é um termo genérico que denota toda e qualquer atividade funcional realizada pelo sistema visual. Pela perspectiva psicofísica ou comportamental, o processamento visual implica em identificar os mecanismos que estão na base de nossas funções visuais. São exemplos a detecção de luz, percepção de padrões espaciais periódicos, suas respectivas resoluções, discriminação de contraste, comprimentos de ondas dominantes (Archer, Pammer, & Vidyasagar, 2020).

Processamento visual também se aplica para funções visuais complexas como movimento biológico, nomeação de cores, formação de conceitos, atenções visuais, memórias visuais, rotação mental de imagens visuais etc.

A questão que se coloca é: O que estes profissionais estão pedindo para ser avaliado?

Clareza do que se quer

O primeiro ponto que quero chamar a atenção é sobre a clareza do pedido. Com base na queixa apresentada pelo paciente, o profissional que faz o pedido de uma avaliação visual, deve descrever claramente qual são as funções visuais que ele quer avaliada. Quais são suas suspeitas? Quais são suas impressões de desempenho visual? Para qual objetivo a avaliação está sendo solicitada?

Isto quer dizer que não existe uma bateria de avaliação visual padrão. Toda medida de funções visuais é realizada por uma bateria de testes e exames que são organizados individualmente para cada paciente.

Uma vez que avaliação visual pode ser realizada desde funções sensoriais até para funções de alta ordem cognitiva, quais são as necessidades que o paciente demonstra ter? Há, portanto, que se apresentar claramente quais as limitações encontradas para que o profissional possa selecionar a melhor bateria de testes visuais para este paciente específico.

Os objetivos da medida são também uma informação que deve acompanhar as suspeitas iniciais. Uma avaliação pensada para fins de reabilitação ou estimulação visual é muito diferente de uma avaliação para fins de diagnóstico de Dislexia, Discalculia (Parkosadze, Kunchulia, & Kezeli, 2018), Austismo (McCleery, Allman, Carver, & Dobkins, 2007) ou redução de memória visual de curto-prazo (Kooiker et al., 2021). Os objetivos da medida garantirão um melhor aprofundamento e investigação de funções visuais relacionadas.

Justificativa para o pedido

Justificar um pedido de avaliação de “processamento visual” é também fundamental. Não apenas pelo aspecto ético, mas também para se entender os motivos de tal pedido. Quais foram as ausências de respostas, ou dúvidas ou alterações de desempenho que levaram ao respectivo pedido. O profissional que for realizar a avaliação visual também se guiará pelas justificativas apresentadas pelo solicitante. Já peguei casos que se pedia uma determinada medida, mas a justificativa do profissional me fez realizar outra medida. Que por sinal, foi muito mais informativa e útil do que a solicitada.

Pacientes apresentam muitas vezes uma limitação de recursos para a realização de baterias de exames. Recursos não financeiros, mas atencionais, de tolerância e fadiga. Desta forma, quando melhor pudermos otimizar o tempo e os recursos do paciente, melhor será nossa avaliação.

Existem centenas de exames e testes para funções sensoriais, perceptuais e cognitivas da visão. A escolha correta depende da condição do paciente e das avaliações que se deseja realizar. Lembre-se sempre disso.

Referências

Archer, K., Pammer, K., & Vidyasagar, T. R. (2020). A Temporal Sampling Basis for Visual Processing in Developmental Dyslexia. Front Hum Neurosci, 14, 213. doi:10.3389/fnhum.2020.00213

Kooiker, M. J. G., van Gils, M. M., van der Zee, Y. J., Swarte, R. M. C., Smit, L. S., Loudon, S., . . . van der Steen, J. (2021). Early Screening of Visual Processing Dysfunctions in Children Born Very or Extremely Preterm. Front Hum Neurosci, 15, 729080. doi:10.3389/fnhum.2021.729080

McCleery, J. P., Allman, E., Carver, L. J., & Dobkins, K. R. (2007). Abnormal magnocellular pathway visual processing in infants at risk for autism. Biological Psychiatry, 62(9), 1007-1014. doi:10.1016/j.biopsych.2007.02.009   

Parkosadze, K., Kunchulia, M., & Kezeli, A. (2018). Visual Processing in Georgian Children with Neurodevelopmental Disorders. Georgian Med News(284), 82-87. Retrieved from https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30618395

Processamento Visual

One response to “Processamento Visual e sua Avaliação”

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *