As habilidades de processamento visual são o que nosso cérebro usa para dar sentido ao que vemos no mundo ao nosso redor. Quando uma criança está atrasada no desenvolvimento das habilidades de processamento visual, o aprendizado pode demorar mais, exigindo mais esforço cognitivo que retarda o processo de aprendizagem.
Matemática, leitura e escrita são algumas das áreas em que as habilidades de processamento visual desempenham um papel fundamental na forma como uma criança aprende e, sem as habilidades para se destacar nessas áreas, a auto-estima de uma criança também pode sofrer.
Uma criança que não desenvolveu um bom movimento dos olhos e habilidades de focalização das imagens geralmente terá mais dificuldade com as habilidades de processamento visual. Felizmente, essas habilidades podem ser tratadas e fortalecidas com terapia da visão. Porém, antes do tratamento terapêutico, há a necessidade de um preciso diagnóstico. Para tal, temos que avaliar várias funções visuais que vão além daquelas que o oftalmologista avalia na consulta clínica tradicional.
Quando Fazer a Avaliação?
Primeiramente, e antes de qualquer diagnóstico ou atendimento terapêutico, há a necessidade de uma completa avaliação oftalmológica, porque muitos dos problemas com a visão, são decorrentes de erros de refração, instabilidades oculomotoras ou doenças oculares.
A avaliação de processamento visual SOMENTE deve ser feita, DEPOIS de uma completa avaliação oftalmológica para descartar estas alterações visuais de origem ocular. Paresia de acomodação pode dificultar atividades para perto como leitura.
Se as queixas visuais continuarem ocorrendo após os tratamentos oftalmológicos ou se não houver nenhuma doença ocular, isto é, exame oftalmológico normal, a avaliação de processamento visual deve ser solicitada.
Infelizmente, ainda é comum recebermos pacientes para avaliação de Processamento Visual que não foram previamente avaliados por oftalmologistas e, uma importante parcela destes pacientes, somente necessitava de óculos ou tratamentos oculomotores adequados. Alguns até estavam em “terapia visual”, DESNECESSÁRIAS.
Assim, deve-se fazer uma avaliação específica e individualizada para cada paciente, levando-se em consideração sua queixa, sua idade e para qual finalidade a avaliação foi solicitada.
Quem Necessita de Avaliação?
Boas habilidades de percepção visual são importantes para muitas habilidades cotidianas, como ler, escrever, completar quebra-cabeças, cortar, desenhar, resolver problemas de matemática, vestir-se, encontrar sua meia no chão do quarto, bem como muitas outras habilidades. Sem a capacidade de realizar essas tarefas cotidianas seu desempenho acadêmico e lúdico fica comprometido.
Distúrbios Oculares: pacientes com doenças oftalmológicas, além da redução de Acuidade Visual e de Campo Visual, também tem impacto negativo significativo em suas habilidades visuais. Para melhor compreensão deste impacto visual, os grupos de pacientes que se beneficiam com a Avaliação de Processamento Visual são:
- Ambliopias
- Escotomas Centrais
- Glaucomas
- Doenças de Nervo Óptico
- Doenças Oculares Genéticas
Desordens e Transtornos de Aprendizagem: crianças e jovens com dificuldade de aprendizagem necessitam realizar a Avaliação de Processamento Visual para que possa se chegar ao correto diagnóstico. A distinção entre Desordem (dificuldade) e Transtorno (sequela) de Aprendizagem depende de uma avaliação cuidadosa, específica e individualizada para cada paciente e condição queixa:
- Queixas com Leitura
- Queixas com Escrita
- Queixas com Habilidade Matemáticas
- Queixas com Memorização e Atenção
- Queixas Auditivas ou Fala em Voz Alta
- Dificuldades com Esportes e Coordenação
Alterações Comportamentais Injustificadas: muitas das crianças com dificuldade de processar estímulos visuais apresentam comportamentos atípicos, muitas vezes como estratégia de fuga de atividades e locais cujas habilidades dificultosas serão requeridas. Estas alterações podem se apresentar como:
- Auto-regulação: A capacidade de obter, manter e mudar a emoção, comportamento, atenção e nível de atividade apropriado para uma tarefa ou situação de uma maneira socialmente aceitável.
- Comportamento: Eles podem evitar ou se recusar a participar de atividades que exijam habilidades de percepção visual.
- Frustração: Com tarefas visuais e manuais de alta precisão.
- Evitar: Eles podem preferir que outros realizem tarefas para eles sob sua direção, em vez de realmente fazerem eles mesmos (por exemplo, “Papai, desenhe uma casa para mim” ou “construa um foguete para mim”, recusando-se a fazê-lo eles mesmos).
- Organização: Eles podem ter dificuldade em acompanhar e organizar os pertences.
Alterações Neurológicas: doenças neurológicas congênitas e adquiridas podem afetar funções visuais, mesmo com o paciente apresentado acuidade visual normal. São elas:
- Doença de Parkinson
- Doenças Auto-imunes
- Acidente Vascular Encefálico (AVE, antigo AVC)
- Traumatismo Cranio-Encefálico (TCE)
- Mal-formações Congênitas como Hidrocefalia, Mielocele, Mielomeningocele etc
Recomendações Finais
Em caso de dúvida ou de necessidade, a primeira atitude a ser tomada é conversar com o médico pediatra, , neurologista pediátrico, oftalmologista ou foniatra para descartas diagnósticos de doenças que podem afetar os comportamentos e habilidades visuais.
Não havendo doenças ou estas não correspondendo às queixas, procure um bom profissional que realize a avaliação de processamento visual. Dê preferência para medidas computadorizadas e que sejam individualizadas para as diferentes condições e queixas apresentadas.
As avaliações de Processamento Visual podem ser realizadas tanto para crianças e jovens, como também em adultos e idosos.




